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MARCAS: MEIOS DE EXPRESSÃO CULTURAL

21.janeiro.2016

Um jogador de futebol é marca, escritores são marcas, cidades são marcas, países são marcas, escolas são marcas, companhias de dança são marcas.

Já foi a época em que as marcas eram apenas artigos domésticos, que eram chatas, entediantes e significavam apenas a procedência e consistência de um produto. Nasceram no comércio, conquistaram a cultura. Espalharam para o esporte, moda, viagem, teatro, literatura, regiões.

Bateram de frente aos meios tradicionais de expressão cultural – a religião, o estado, a arte – que eram os principais meios de expressão que as pessoas dispunham. Bateram de frente pra ficar.

Mas o vigor e o peito estufado não vieram delas próprias, pois são vasos vazios, recipientes ocos, nada valem em si mesmas. Sua força, ao contrário, vem de cada um de nós. E é por isso que podem atingir imensa relevância ou cair em descrédito.

São meios pelos quais podemos expressar ideias? Ajudam a ser quem somos ou gostaríamos de ser? São formas que podemos escolher para nos apresentar, expor nossa visão de mundo, nossos valores, em que acreditamos? Participam socialmente de nossas vidas? São meios que nos conectam com outras pessoas? Trazem o sentimento de fazer parte?

Taí a força das marcas. São meios de expressão cultural. E é assim que ganham imensa relevância. Mas parece que muitas delas estão presas no passado tentando representar padrões de qualidade e consistência.

Essas são ainda guiadas pela lógica matemática. Processos, regras, controle. O principal – a razão de existirem e o jeito de ser – é deixado de lado. Sua gestão é superficial e insensível.

Mas aí está a grande oportunidade, são meios com imenso potencial de expressão cultural. E para isso precisam conectar com as pessoas, precisam significar.

Que tal estabelecer conversas ao invés de nos classificar em caixinhas? Que tal nos conhecer como somos e não como alvos? Que tal olhar pra gente da forma mais natural e humana possível?

Não é assim que conhecemos as pessoas que gostamos? Cadê pois a capacidade perdida de empatia e sensibilidade cultural das marcas? Cadê o olhar aberto, interessado? Cadê a significação?

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